MANIFESTO VERDADE DO OBJETO | VERDADE DO ARTISTA: VISTA SUA EXISTÊNCIA



A VERDADE DO ARTISTA,

nasce das experiências diversas entre a observação, reflexão e ação sobre as matérias (objetos e agentes de contato). A verdade do artista é liberta e ao mesmo tempo condicionada à verdade do objeto. A ação nem sempre gera a reação imaginada. A composição muitas vezes foge ou não revela a expectativa gerada nos desdobramentos da ação. Nota-se que a verdade do artista, assim como nosso sistema solar, boia num espaço de paradoxos infinito. Quanto mais se revela a verdade do artista, mais se desconhece sua fonte original.

VERDADE DO OBJETO

Os objetos não têm memória em si, são inanimados. Porém, sua trajetória, de alguma forma, está impressa como um selo. Ao interagir com a ‘verdade’ do objeto, o artista revela dimensões desconhecidas, decodificando os selos, reinserindo, transformando, agrupando, ‘estetizando’ e instigando a observação mais atenta do público.
Outra camada desta verdade é a espiritual, ritual e empírica que se deflagra na observação, contato, coleta e seleção desses objetos. Os mesmos, durante sua ‘vida útil’, estavam inseridos em um ambiente de ritual cotidiano – como uma boneca que intimamente acompanhou um período do existir de uma criança e sua família.
Temos também o valor estético atual do objeto, sua cor, forma e matéria. Bi ou tridimensionalidade. Características que instigam o artista a buscar organicamente uma ‘ordem caótica’, como em um poema abstrato ou ainda como em uma gaveta de talheres sem divisórias.

VISTA SUA EXISTÊNCIA - ARTE RITUAL

A arte ritual refaz uma trajetória de certa forma perdida, ou melhor, suprimida do cotidiano e sua relação com o espiritual. Ao instigar a observação do ‘objeto’ e sua verdade, os artistas levam-nos a uma imersão sensorial e emotiva, onde se desvelam as camadas impressas nos diversos elementos que compõem a ação. Como na física quântica, a energia agente do artista, somada à energia reagente do objeto, faz o mesmo desdobrar-se no espaço-tempo, agindo e inter-agindo com o público.

A Natureza, o Artista e o Efêmero em conexão com o Universo

Tudo é efêmero e atemporal quando traçamos um paralelo entre o fazer artístico (seus desdobramentos) e os movimentos constantes do universo.
Tenta-se mensurar o universo, definir-se um ‘tempo’, anos luz, por exemplo. Porém, o movimento de tantas galáxias em expansão e todas as suas nuances não cabem em fórmulas e cálculos. A experiência do universo é única a cada fração de milésimo de segundo.
Assim é com o movimento artístico. Definem-se épocas, estilos, traços, conceitos e supostas origens. O tempo não funciona com o efêmero da arte, que são as experiências individuais de homens e mulheres diante do ‘OBJETO ARTE’. Suas emoções, olhares, reflexões e tantas outras reações não dimensionáveis transformam continuamente o universo do indivíduo, também efêmero.
Tudo na arte é transformação e movimento, dentro e fora do objeto.
Podemos experienciar esse não-tempo e efemeridade do universo em nossa ‘Residência-Laboratório’, trabalhando (mesmo em um espaço finito) várias camadas do existir: arte, sagrado, natureza, vida, expansão, transformação e até mesmo transfiguração.

Texto: Kabila Aruanda