ARIANNE VITALE



Janeiro 2013

A Saia do Mundo Gira - a costura como ação performática

Kleinwort significa “pequena palavra” e está impressa em um tecido comprado no gigante mercado de pulgas de Treptow em Berlim.

O tecido fez parte de um presente, “fragmentos do velho mundo” recolhidos por mim e enviados de Berlim para Cotia para serem “manipulados” e transformados pelos artistas da Usina da Alegria Planetária e resultou numa série de fotografias com os objetos e os corpos. Este foi o primeiro passo da parceria que culminou na residência artística.

A SAIA DO MUNDO GIRA aconteceu no Ateliê da UAP. Na performance, 3 máquinas de costura funcionaram simultaneamente e criaram o movimento de uma saia que era costurada. A costura como ação performática, subtítulo que esclarece a base para esta performance, tem o ato de costurar como premissa para a ação coletiva.

É no costurar que reside a performance. Cada fase da costura produz em meu corpo uma reação. Costurar para mim é um ato performático, como se estivesse dirigindo um carro em alta velocidade por uma estrada estreita e curva. Um trabalho tão minucioso mas que em minhas mãos se modela em movimento. Nenhuma linha estritamente reta.

Foi neste estado de excitação que aconteceu a performance. Os participantes puderam sentir e viver o processo da costura comigo. As máquinas dispostas em círculo costurando ao mesmo tempo a barra da saia que ganhava a cada instante mais elementos e drapeados.

Ao centro, suspensa por uma estrutura, cada pessoa podia colocar um adereço na saia, exercitando a sensibilidade com as mãos e o corpo. E ajudavam a saia a rodar buscando novos adereços, coletados tanto por mim nos mercados de Berlim (chamo de “fragmentos do velho mundo”) como a infinidade de materiais no acervo da UAP.

http://ariannevitalecardoso.com/performance/a-saia-do-mundo-gira/