VISTA SUA EXISTÊNCIA



OCUPAÇÃO PERFORMANCE RITUAL constituída por séries de experiências de situações/ações performáticas a partir da coleta e manipulação de objetos e sua ritualização. É a proposição de uma imersão até a origem das matérias primas e seus detentores, os Orixás (arquétipos da natureza) e sua ressignificação artística através de um ritual de candomblé.

Busca-se nos materiais industrializados uma memória dos elementos que os compuseram originalmente, ritualizando-os ao reinventar suas possibilidades de uso. Ao manipular descartados do final da cadeia produtiva da cultura material, esses materiais tornam-se matérias primas contemporâneas e assim são recriados, dando forma e apresentando um corpo-lugar provisório-efêmero, primitivo e ritual. São criadas, a partir deles, indumentárias específicas que os performers vestem durante os rituais a cada ação, sendo elas mesmas o resultado efêmero do processo de coleta e ressignificação, memória e sua representação, provocando a integração do ser humano, natureza e arte através do exercício do sagrado, dentro do espaço urbano. Eis o ato de vestir nossa existência: frutos da miscigenação, conectamos nossa temporalidade desde a ancestralidade dos rituais e modo de vida africanos trazidos para o Brasil, evocando os Orixás como povos originais que habitam a Terra.

Estas ações se dão em três movimentos:
• recrutamento dos objetos – ato-processo no qual os performers, vestidos com suas indumentárias, vão às ruas pelos entornos em contato com o público convidando-o a colaborar com a coleta de materiais e doação de objetos pessoais;
• ação de despejo – os objetos coletados são despejados e separados de acordo com o reino natural a que pertencem e ressignificados transformando-se em partes integrantes destas indumentárias constituídas. Nesta ação busca-se gerar deslocamento entre histórias, fluxos de energias, seus significados e origens;
• reintegração de posse – momento da celebração final, quando os integrantes do grupo, conduzidos pelo Mestre Babalorixá Kabila Aruanda, vestem as indumentárias e evocam as energias da natureza que deram origem àqueles materiais.

A vinda dos orixás se dá através do transe praticado nos rituais de candomblé, acionado pelos cantos e danças ancestrais, ligando trajetórias individuais e compartilhadas através de cada objeto e as relações que foram, são e serão criadas.

Através da máxima “fazer candomblé é fazer arte”, o corpo dos performers veste sua existência sublime, e o próprio transe torna-se o lugar performático expressivo destas experiências.

Performance: https://vimeo.com/102274707

Manifesto Verdade do Objeto/Verdade do Artista